Arquivo mensal: maio 2016

Um olhar enluarado…

Há um tempo, tive o privilégio de ser um dos audientes de um concerto de piano, evento promovido pelo maridão, com o apoio da Comunidade Batista da Graça, em Caruaru, PE. Belo, do início ao fim, o espetáculo promoveu a fé, o encanto, o conhecimento, a criatividade e o bom humor. Naturalmente, a música executada acrescentou inéditas e reviveu antigas lembranças.

E, especificamente, Clair de Lune fez lembrar de uma experiência da época da mocidade, lá em Pirabeiraba – Joinville / SC, ao observar o céu, da janela do meu quarto, naquela ocasião…

Sabe-se que esse satélite tem inspirado poemas e composições ao longo da história, quiçá por iluminar as noites, as quais, sem ela, tornam-se sombrias. Diz-se, por exemplo, que “a Lua é dos namorados”… À medida em que ela viaja, sua posição varia em relação à Terra e ao Sol, surgindo, daí, as fases, as quais orientam um dos tipos de calendário existente.

Há, também, vários mitos que envolvem-na, como o volume dos cabelos ser favorecido durante a fase Cheia; o melhor desenvolvimento das hortaliças, conforme a fase lunar e a da semeadura; a fertilidade da mulher ser afetada durante o período de mudança das fases; etc, nada comprovado cientificamente, com exceção da influência da Lua sobre as marés.

Caso haja interesse no assunto, sugere-se a leitura dos artigos:

“Sob o domínio da Lua: os mitos deste satélite”, em http://super.abril.com.br/ciencia/sob-o-dominio-da-lua-os-mitos-deste-satelite

“A lua tem um lado escuro”, em http://super.abril.com.br/ciencia/a-lua-tem-um-lado-escuro.

Fazendo um paralelo cômico e simplório, pode-se dizer que a fase da Lua Cheia é aquele momento em que se se delicia com uma fatia de uma torta alemã; a fase da Lua Minguante é quando descobre-se que o creme de leite estava começando a azedar; a fase da Lua Nova é quando os sintomas da dor de barriga se apresentam em todas as formas; e a fase da Lua Crescente é quando se toma um chá de folha de goiaba e sabe-se que tudo ficará para trás.

E a recordação durante a performance foi a comparação da vivência do homem ou da mulher às fases lunares. Parece que só se aprende, amadurece, enfim, torna-se o que nasceu-se para ser, ao passar-se pela beleza e pela provação que cada temporada, que cada estação ou período de tempo apresenta ou impõe, obviamente, pela permissão do Criador, o qual, sendo um Pai bondoso, almeja o aperfeiçoamento dos seus.

Como a Lua, o ser humano não possui brilho próprio, a não ser quando se deixa iluminar pela Luz Divina, aceitando Cristo como Salvador e Senhor, no coração. Esse momento assemelha-se à fase da Lua Cheia, quando fica-se a transbordar de fé, amor e devoção. Torna-se como criança, despreocupada e feliz, segura do amor do pai, confiante e otimista, contagiando a todos. Quem sabe esteja-se tão “crente”, que se passe até a criticar quem tenha dúvidas, esquecendo-se da história inerente a cada ser e do lado oculto à cada fase.

A Minguante, que vem seguidamente, traz  a percepção de que, mesmo pelo fato de se ser cristão, o sofrimento não é excluído da existência, apresentando-se para bons e maus; mas acompanhada da resistência e busca pelo socorro do Alto, o qual vem na hora e com a resposta certa, provoca reações de gratidão através de cânticos, testemunhos, sorrisos e, quem sabe, um vislumbre de orgulho, pelo sentimento de merecimento e visibilidade, em contraste com o “aparente” comodismo dos que esperam há mais tempo por algo.

Decurso que passa e sucede-se a fase Nova, a qual, inicialmente, não é visível da Terra. Talvez seja uma perda, um choque de realidade vivenciado, ou uma decisão que faz sair da zona de conforto, com mudanças em andamento, mas que, por causa da incredulidade, rebeldia, cegueira e ingratidão, não se concretizem como se almejava. Simbolizada, quem sabe, por traição, solidão, revolta, vitimização, questionamento e teimosia, essa estação é capaz de enterrar sonhos, projetos, e dar um aspecto de fim ou de não finalidade da vida.

Finalmente, depois disso, há mais luz solar visível na superfície da Lua, quando ela passa para a fase Crescente. Há fé, esperança e petições por auxílio, com a ciência de que, sem Ele, nada pode-se, nada realiza-se, nada de bom se sente ou emana da alma. Tudo que é correto, justo, verdadeiro e belo irradia dEle, por Ele e para Ele, tornando-nos meros refletores, que, conforme o giro ao redor do eixo e da Terra, é demonstrado ou não para quem esteja na platéia do viver.

O que fica de ensinamento é que, independente da fase, a Lua é iluminada pelo Sol sempre, e o lado que não se vê recebe até mais luz do que o que se avista, pelo movimento de rotação frequente. Em outras palavras, quando se se deixa guiar pela visão imperfeita, não percebe-se que Deus nunca se afasta nem deixa de agir. Ele não dorme, e, “de fato, mil anos para Ele são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite.” Salmos 90:4

Então, um olhar enluarado sobre a vida nada mais é do que ser resiliente, acreditando incessantemente que tudo passa; é ser otimista e recordar que a fonte de luz abrilhanta a Lua constantemente, mesmo quando imperceptível aos olhos terrenos; é crer que toda fase faz parte do plano de Deus, tornando-nos únicos na missão a qual temos que cumprir, assim como a Lua, que junto às estrelas, clareia e embeleza as noites, independente se Cheia, Minguante, Nova ou Crescente.

“Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu: […] tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar.” Eclesiastes 3:1,4

“O seu sol nunca se porá, e a sua lua nunca desaparecerá, porque o Senhor será a sua luz, para sempre e os seus dias de tristeza terão fim.” Isaías 60:20 #promessa #paraquemacredita

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