Arquivo mensal: janeiro 2013

Rotina: bem ou mal necessário?

Nunca fui amante da rotina, tanto que não consigo encontrar motivação para um trabalho repetitivo como o de um escritório, por exemplo. Essa característica faz com que encontre prazer em desafios e novidades, daí a paixão por ensinar, acredito. E nestes últimos dias um questionamento tem me perseguido: será a rotina um bem ou um mal necessário? A vida, por si só, é surpreendente e imprevisível. Os maiores valores não são os que podemos guardar e organizar em um baú ou prateleiras, e, sim, vivenciá-los, sabendo-os abstratos. Então, como enformá-los em algo meramente repetitivo e habitual, sem as mudanças provocadas pelo sentir, pelo ser?

Tentamos pragmatizar tudo, para facilitar e tornar mais organizada a sequência dos dias, a fim de parecermos estar no comando e de sermos os senhores da existência. Mas, basta um item cair da prateleira para sermos obrigados a parar e, quem sabe, mudar sua disposição ou até nos desfazermos dele. O inesperado sempre nos afeta, por mais que teatralizemos nossas reações. Diante disso, qual a conveniência de se estabelecer uma rotina, um planejamento, enfim, um adesivo identificando o conteúdo do pacote no baú? Qual a vantagem de se tentar colocar tudo em ordem? Há realmente alguém que consiga ser metódico e sistemático a vida inteira? Quem o é, instintivamente amará a rotina, ou vice-versa?

Além da própria vida, as diferenças na totalidade universal, também, vêm ditar o que será ou não alcançado, mensurado, efetivado… Quase nada e literalmente ninguém é igual, excetuando-se os bens industrializados, por exemplo, produzidos em grande escala e por máquinas. E, como se diz, graças a Deus pela diversidade! Imagine-se a monotonia em comportamentos idênticos e resultados sempre semelhantes… Diante da constatação de que a vida, com seus imprevistos, e as diferenças existentes incentivam a uma vivência nada rotineira, hão de se excluir os hábitos feitos sempre do mesmo modo, não é? 😀 Dá pra se imaginar todo o mundo quebrando seus relógios? 😉 Ambas as respostas são um sonoro NÃO!

Feliz ou infelizmente, a rotina é inerente à vida. Em conversa com o maridão, ele citou belos exemplos, como o dia e a noite, os seis dias da criação do mundo etc, sugerindo que, cada um deva entremear o seu dia a dia com coisas ou acontecimentos não costumeiros para evitar um regime de quartel, que acabe desmotivando o cumprimento das regras inatas à rotina. Sim, porque qualquer rotina só existe por causa de normas preestabelecidas pelos outros ou por nós mesmos. Um padrão é o dos horários das refeições, o qual, se não seguido, conforme nutricionistas, impede a perfeita absorção dos nutrientes. Então, cabe a busca do equilíbrio entre o que deve ser de praxe e lances criativos. Para quem não gosta da rotina, assim como eu, quem sabe, colocar a mesa da cozinha na varanda para o jantar, já faça toda a diferença! E, mais que tudo, pedir sabedoria do alto, para administrar os intervalos entre as práticas repetitivas das vinte e quatro horas que o Papai do Céu nos concede e permite… Ele sabe, melhor que ninguém, o que nos faz sorrir, não é, Samuka?

Samuel

 

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