Arquivo mensal: setembro 2011

Deus…

“Nenhum homem diz “Deus não existe”, a não ser aquele que tem interesse em que ele não exista.” (Agostinho)
Por que um homem que vê a vida se multiplicando o tempo todo preferiria creditar isso ao acaso?
Por que um ser humano, que pode admirar mais e mais a beleza e a complexidade do Universo, pensaria assim?
Por que alguém que, caracteristicamente, é metódico e sistemático aceitaria que um Sistema Solar organizadíssimo pode ter sido gerado por uma explosão?
Por que um conhecedor das condições necessárias para a vida acontecer e se suceder, sabedor que o Planeta Terra está disposto ou colocado exatamente no único local do mundo onde isso é possível, onde a temperatura é a mais adequada para a sobrevivência da humanidade, da fauna e da flora etc, duvidaria de um Criador?
Por que um animal racional e inteligente chegaria ao ponto de ter esse interesse? Interesse, ou desejo, ou conveniência, ou vantagem na não existência divina!? É muito difícil responder a essa pergunta…
Uma resposta rápida seria: orgulho e egocentrismo, consequências de toda uma cultura antropocêntrica “derramada goela abaixo” há anos… Mas, analisando-se a questão com seriedade e com olhar mais clínico, talvez decepção seria a origem dessa postura…
Acredito que a ideia do homem como centro de tudo partiu do descontentamento e revolta contra toda a imposição que se fazia em nome de Deus. As exigências, injustiças e aberrações cometidas, as quais, infelizmente, se repetem em nome de Deus, também em nossos dias… 😦 Ainda as decepções com familiares, os quais deveriam ser o porto seguro aos seus entes, mas não o são, aumentaram esse sentimento de desapontamento…
A humanidade é gregária e predisposta a viver relações de confiança mútua e trocas constantes, em atendimento às várias necessidades que existem, tais como: alimentação, vestuário, afeto, segurança emocional, desenvolvimento intelectual… E quando a confiança é traída há como que um “trancar de portas”.
De trancamento em trancamento, o número de portas fechadas aumenta a ponto de se ficar inacessível. Acho que só um desnudamento total, tratado com o respeito e a valorização que merece, ajudaria na condução da volta ao tempo em que ainda havia confiança… Quando se decide por voltar a confiar e tentar ser bom, no sentido de perdoar e superar o que passou, certamente se admitirá que há uma alma por trás das portas fechadas…
Realmente, duvido que se consegue abafar totalmente essa alma e a consciência, que é como se fosse aquele amigo ou inimigo invisível apontando o que é melhor, o que vai dar certo ou o que deu errado… Bem, aí entra Deus, conforme o que acredito… Será que um ateu já parou para realmente “conversar” com Ele e verificar por si mesmo se Ele é real? Porque “uma coisa é falar sobre Deus. Outra coisa é experimentar esse Deus” (@GarimpoEditora). “Sem dúvida nenhuma, todo conhecimento começa com a experiência” (Immanuel Kant).
E, parafraseando “The Sunset Limited”, com Tommy Lee Jones e Samuel L.Jackson, suponho que a”morte em vida” é o maior desafio a ser vencido pelos queridos que se afirmam ateus… Se tudo em que se acredita, como a intelectualidade, a cultura, a educação, a liberdade de pensamento e atos etc é frágil e tem limite, não durando para sempre, acabando-se um(a) a um(a), o que resta é o nada e a sensação de se estar perdido! Viver-se a vida sem nenhuma crença, sem sonhos, sem nenhum significado, com a esperança do nada: isso é possível? O que nos carrega é aquilo que acreditamos… Para finalizar, quem rejeitaria, em plena consciência, a vida eterna?
 “Há dois tipos de pessoas: as que têm medo de perder Deus e as que têm medo de O encontrar.” (Blaise Pascal)